domingo, 5 de fevereiro de 2012

Linguiça cabo de relho

Hélio Consolaro*



Linguiça não tem trema, pois, com o Acordo Ortográfico, tal “acento” desapareceu, mas a polêmica não é essa. O caso é a discussão se tal embutido fabricado em Castilho-SP, nossa região, é “cabo de reio” ou “cabo de rei”.

Se aquela linguiça mista, consumida na periferia das cidades a R$ 2,10 ao quilo for comida de rei, que estarão consumindo os súditos do soberano?

Esse embutido é antigo e cheguei a consumi-lo, havia cada pedaço cabeludo na tal lingüiça, ou seja, alguns pedaços, mal moídos, vinham com o couro do boi. Com certeza, o produto melhorou muito. Comer tal linguiça tem sabor de infância pobre. 

Na verdade, o nome é “cabo de relho”, porque ela é redonda e fina, parecendo cabo de chicote de carroceiro, charreteiro, etc.

O certo é dizer e escrever “linguiça cabo de relho”; como o “lh” é transformado em ditongo na pronúncia popular (velho – veio), ficou sendo “cabo de reio”. A vogal “o” fica mal pronunciada, virou também “cabo de rei”. E para se autovalorizar, por que não dizer “cabo de rei”? Afinal, o trabalhador brasileiro é um “rei”, pois é ele que constrói o país.