Hélio
Consolaro*
Linguiça
não tem trema, pois, com o Acordo Ortográfico, tal “acento” desapareceu, mas a
polêmica não é essa. O caso é a discussão se tal embutido fabricado em
Castilho-SP, nossa região, é “cabo de reio” ou “cabo de rei”.
Se
aquela linguiça mista, consumida na periferia das cidades a R$ 2,10 ao quilo
for comida de rei, que estarão consumindo os súditos do soberano?
Esse
embutido é antigo e cheguei a consumi-lo, havia cada pedaço cabeludo na tal
lingüiça, ou seja, alguns pedaços, mal moídos, vinham com o couro do boi. Com
certeza, o produto melhorou muito. Comer tal linguiça tem sabor de infância
pobre.
Na
verdade, o nome é “cabo de relho”, porque ela é redonda e fina, parecendo cabo
de chicote de carroceiro, charreteiro, etc.
O certo é dizer
e escrever “linguiça cabo de relho”; como o “lh” é transformado em ditongo na
pronúncia popular (velho – veio), ficou sendo “cabo de reio”. A vogal “o” fica
mal pronunciada, virou também “cabo de rei”. E para se autovalorizar, por que
não dizer “cabo de rei”? Afinal, o trabalhador brasileiro é um “rei”, pois é
ele que constrói o país.