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A linguagem como campo de batalha entre diferentes concepções da existência. Decisões linguísticas demonstram visões de mundo. Estilo ao escrever coincide com estilo de viver. Após a vitória de Dilma Roussef, uma discussão gramatical, aparentemente pequena, revela como a mídia vai se comportar perante a nova realidade política do país. Trata-se de escolher entre o substantivo feminino "presidenta", o substantivo "presidente" que serve aos dois gêneros e o adjetivo "presidente", que também serve para um homem ou uma mulher que presida o país. A Folha de S.Paulo está empregando "a presidente eleita", "Dilma presidente". Nas páginas do Correio Brazilienze leio "a presidente". Em O Globo: "Em seu primeiro discurso como presidente, Dilma..." No Estado de S.Paulo, Dilma é "a 1ª presidente do Brasil". Em março de 2010, o radar de Lauro Jardim (revista Veja) avisava: Em consonância com a mudança político-gramatical, Leonardo Boff chama Dilma de "a novel presidenta", em artigo que acaba de escrever. No Tribuna do Norte (Natal), leio a chamada – "Lula faz de Dilma presidenta". O Diário de Cuiabá, ainda no dia 27 de outubro, referia-se à possibilidade de Dilma tornar-se "presidenta". Por outro lado, na mídia internacional, não há dúvidas. Em Portugal, o Jornal de Notícias aplica o feminino com rigor: "Dilma será a primeira presidenta do Brasil". E temos "la primera presidenta de Brasil" (La Nación, Argentina), "la presidenta electa" (El País, Uruguai), "première femme présidente du Brésil" (Le Figaro, França). Não está errado escrever ou falar "presidente Dilma". Convém saber, no entanto, se é por opção ou por falta de hábito. |
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Presidenta com "A" - por Gabriel Perissé
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