quinta-feira, 26 de março de 2020

Quarentena e quaresma


Hélio Consolaro*

Duas palavras que têm como significado o numeral 40. Estamos na Quaresma, que veio do latim, da palavra “quadragésima”, período litúrgico que antecede a Quaresma na Igreja Católica. Estamos nele.

Já quarentena veio do francês, “quarantaine”: isolamento de quarenta dias imposto aos doentes para evitar a disseminação de doenças contagiosas. No Brasil, havia a quarentena da parturiente, 40 dias sem sexo após o parto da mulher.

Com a nossa modernidade líquida, termo usado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman, onde tudo é volátil, sem consistência e passageiro, fizeram da simples gripe, coronavírus, uma bomba atômica, a palavra “quarentena” é usada como sinônimo de isolamento imposto ao doente, sem necessidade de ser 40 dias. A palavra está em mutação.

Há gente que diz que na Quaresma se faz uma quarenta espiritual, uma espécie de retiro.

Em português, a palavra coronavírus deve ser acentuada.  

Hélio Consolaro é professor de Português

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Endemia, epidemia e pandemia


Hélio Consolaro*

Vamos entender as palavras dessa nossa época apocalíptica. O radical -demia significa “povo”, “demo”. Desse mesmo radical vem democracia, mas nada tem a ver com demônio; em termos médicos, significa uma doença que atinge toda uma população.

Quando coronavírus ainda era uma epidemia na China, significava que a doença pertencia a um país, estava em alta entre os chineses. Este é o sentido de “epi-“.  

A Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU, demorou para rotular a doença de “pandemia”, somente quando ela atingiu a Europa. O sufixo “pan” significa “todo o possível, todo”, como nos Jogos Panamericanos, todos os países americanos. Se o coronavírus foi classificado como pandemia é porque havia tomado grande parte do mundo. Doença com caráter global.

Mas há também a “endemia”, com o prefixo “en-“ que significa “interior”, doença do próprio lugar, faz parte da região, como a malária na Amazônia; mas isso não quer dizer que não precisa ser combatida.   

Hélio Consolaro é professor de Português

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Natal e Ano-Novo - maiúscula ou minúscula

Hélio Consolaro*

Estamos atravessando o período das festas de fim de ano. E elas têm regras especiais nas transcrições.

“Natal” é uma festa de nosso calendário que, por isso, deve ser grafada com inicial maiúscula mesmo no meio de frase. Já na frase: “Ele viajou para sua cidade natal”, letra minúscula.

A festa não precisa ter caráter religioso para usar a letra maiúscula. “Carnaval”, nome de festa; “carnaval” como sinônimo de alegria coletiva.

“Ano-Novo” como festa de passagem de ano (antigamente chamada de Ano-Bom), primeiro de janeiro. Numa frase: “Esperamos coisa melhor do ano novo”, grafado sem hífen e em letras minúsculas.

*Hélio Consolaro é professor de Português

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Turno: futebol ou campanha eleitoral?


Hélio Consolaro*


Uma palavra que vem do latim, mas no sentido de tornar, arredondar, voltar ao sentido inicial; o francês e o espanhol deram-lhe o sentido de revezar, alternar. E nesse sentido, a palavra passou para o português. 

Atualmente, os brasileiros estão enfrentando o segundo turno nas eleições para presidente e em alguns estados para governador. Uma forma de o eleitor governar com maioria, pelo menos dos votos válidos.

Também estamos no segundo turno no Campeonato Brasileiro em que o Palmeiras está em primeiro lugar. No futebol, tem o sentido de retornar ao ponto inicial, começar tudo novamente.

*Hélio Consolaro é professor de Português

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

"Felipão prioriza as três disputas"



Nos programas e entrevistas esportivas, ouvimos muito o verbo priorizar sendo empregado em sentido inverso. Priorizar é dar prioridade, que significa ser o primeiro.

Se vai dar importância a tudo, como no caso o Palmeiras, não pode priorizar as três disputas das quais participa: Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

O Felipão pode valorizar as três, mas priorizar uma só, porque o sentido desse verbo é  “colocar em primeiro plano; dar preferência a”.

Num universo de três itens, podemos priorizar apenas um; de cinco, até dois. E assim por diante, conforme a lista de opções aumentar. Sempre priorizamos bem menos da metade da relação.

Da mesma forma se aplica o verbo em campanhas eleitorais, administração pública: “Qual será a prioridade de seu de seu governo?”. “Qual será a prioridade de sua ação parlamentar?”. Não pode ser o plano de governo todo. A relação de prioridades é restrita. Ou então se faz uma lista numa ordem de preferência.

Estamos conversados. Não se prioriza tudo ou quase tudo. Prioridade é ser primeiro.

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Faria e traria - futuro do pretérito e futuro do presente



*Hélio Consolaro

Num programa bem antigo da TV Brasileira, a apresentadora de 70 anos, não é uma iniciante, disse: “Eu não fazeria isso”! 

Meus ouvidos acusaram o erro, mas não me escandalizei, porque os escorregões acontecem. Vamos aprender com o erro dela?

Verbos FAZER e TRAZER são irregulares nos futuros do modo indicativo, perdendo a sílaba ZE. Em vez de “fazeria”, o certo é “faria”, “traria”. Irregular é o verbo cuja conjugação foge do padrão.

Na escrita, use o seu dicionário (digital ou de papel) como fonte de consulta gramatical. Se ele for bom, completo, apresenta a conjugação dos verbos irregulares nos respectivos verbetes.

FUTURO DO PRESENTE DO MODO INDICATIVO
Fazer: Eu farei, tu farás, ele fará, nós faremos, vós fareis, eles farão.
Trazer: eu trarei, tu trarás, ele trará, nós traremos, vós trareis, eles trariam.

FUTURO DO PRETÉRITO DO MODO INDICATIVO
Fazer: eu faria, tu farias, ele faria, nós faríamos, vós faríeis, eles fariam
Trazer: eu traria, tu trarias, ele traria, nós traríamos, vós traríeis, eles trariam

*Hélio Consolaro é professor de Português

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